Estudante

Bandejão na Praia Vermelha: conquista está próxima

Jaqueline Ruiz

Campus da Praia Vermelha da UFRJ.  O prédio de maior destaque é o Palácio Universitário, construído em estilo neoclássico entre os anos de 1842 e 1852.
Campus da Praia Vermelha. Foto: Gabriela D'Araújo

O campus Praia Vermelha, na Urca, receberá o seu Restaurante Universitário (R.U.) no início do próximo ano letivo, em 2017. O restaurante será alocado próximo ao Instituto de Neurologia Deolindo Couto, com uma estrutura de módulos de container. Até a inauguração, refeições transportadas estão sendo oferecidas aos estudantes.

A instalação de um restaurante universitário faz parte do plano diretor da UFRJ, aprovado pelo Conselho Universitário em 2009, que prevê uma série de projetos a serem viabilizados até o ano de 2020.

Reivindicação tem mais de 20 anos

Enquanto o campus da Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, possui três restaurantes com almoço e janta a dois reais, a Praia Vermelha teve seu restaurante desativado na década de 1990. Desde então, os estudantes têm reivindicado a instalação de um restaurante universitário na Praia Vermelha como forma de garantir a permanência dos ingressantes que não podem custear diariamente refeições na zona sul.

Diego Nogueira, diretor do DCE Mário Prata. Ao fundo, o terreno em que será erguido o Restaurante Universitário, perto do Instituto de Neurologia.
Diego Nogueira, diretor do DCE Mário Prata. Ao fundo, o terreno em que será erguido o Restaurante Universitário, perto do Instituto de Neurologia. Foto: Diogo Vasconcellos (Coordcom / UFRJ)

Segundo Diego Nogueira, diretor de Assistência Estudantil do Diretório Central dos Estudantes Mário Prata (DCE-UFRJ), desde os anos 1990 o movimento estudantil luta por um bandejão na Praia Vermelha que atenda aos cerca de dez mil alunos dos cursos localizados no campus. “Estamos acompanhando de perto esse processo, que está marcado para ser concluído em janeiro, e continuaremos assim até a entrega total do bandejão, sem aceitar nenhum dia de atraso de algo que já era para estar pronto”, afirma.

O processo de licitação dos módulos habitacionais para a instalação do R.U foi encerrado em julho deste ano e agora está em fase de contratação. Apesar da crise econômica do país e da redução de repasse de recursos para as universidades públicas, Elídio Marques, Superintendente-adjunto da Superintendência de Políticas Estudantis (Superest), afirma haver “previsão orçamentária necessária para garantir a entrega do restaurante universitário no próximo ano letivo”.

Segundo ele, sem as políticas de assistência estudantil a universidade regride ao elitismo. "Um campus em que há um restaurante universitário é muito diferente daquele que não há. Simbolicamente, você mostra a todos que se trata de um campus acessível a um estudante que não pode pagar por uma alimentação na zona sul. E o número de alunos que necessita desse serviço cresce cada vez mais”, complementa Elídio Marques.

Qualidade das refeições causa polêmica

No final do último período, a UFRJ passou a distribuir gratuitamente refeições para os estudantes da Praia Vermelha.

Segundo Lúcia Andrade, diretora do Sistema de Alimentação da Universidade, esse esquema será mantido até a inauguração do restaurante universitário, com o preço de R$ 2,00 para estudantes e R$ 6,00 para servidores. Assim que começar a funcionar, “a média diária para o atendimento no almoço será de até 1.200 pessoas e de 600 no jantar. Porém, essa estimativa ainda está passível de ajustes”, diz Lúcia.

Apesar de o sistema de quentinhas provisórias atender, até então gratuitamente, a Praia Vermelha, reclamações têm sido feitas pelos alunos a respeito do alimento oferecido. A baixa qualidade e a repetição das refeições são as críticas principais.

“Embora o serviço seja gratuito para os alunos, o que é ótimo, é importante que voltemos a nossa atenção para a qualidade do que está sendo oferecido. Todos os dias as opções são empadões e refrescos de qualidade duvidosa. Para quem precisa comer todos os dias lá, é complicado e passa longe de ser realmente saudável.”, diz o estudante do 7° período de Jornalismo, Paulo Henrique Calmon.

Em resposta, Lúcia Andrade afirmou que o grupo técnico do Sistema de Alimentação fará as mudanças possíveis e viáveis para diminuir o problema. Ela explica que o fornecimento de refeições transportadas limita a escolha do tipo de preparação e a temperatura do alimento servido.

“A isso, soma-se a chegada de novos funcionários da empresa terceirizada, ainda em fase de adaptação ao serviço, e o resultado de testes realizados sobre estabilidade e modificações de características de variadas preparações durante o transporte, que ainda não foi finalizado”, ressalta.

Para a Praia Vermelha ter o mesmo tipo de cardápio distribuído nos restaurantes universitários, diz Lúcia Andrade, é necessária a instalação de diferentes equipamentos para conservação dos alimentos em temperatura quente e fria, além de refresqueiras para a bebida à base de polpa de fruta.

Segundo ela, a empresa terceirizada irá instalar os balcões térmicos nos dois espaços disponibilizados – Instituto de Filosofia Ciências Sociais (Ifcs/UFRJ) e na Praia Vermelha – até a segunda quinzena de outubro.

A partir daí, as refeições serão compostas por preparações também quentes e, com o apoio dos balcões térmicos, será possível armazená-las diretamente nas embalagens individuais descartáveis.

“Continuaremos a utilizar as embalagens atuais já que a adequação do serviço, com adoção de louça e talheres comuns, só ocorrerá depois que realizarmos um novo processo de licitação para contratação de empresa para esta modalidade, exclusivamente,” acrescenta.