Sociedade

As raízes da explosão do ódio no Brasil

Coryntho Baldez

Pintura de Rugendas que retrata um escravo sendo açoitado na época da escravidão.
Pintura: Rugendas / Pelourinho

O país que submeteu os negros à escravidão, massacrou rebeliões populares contra a miséria, como a de Canudos, e passou por uma longa ditadura militar vive, hoje, mais um período histórico de intolerância com as diferenças.

O passado de violência irrompe no presente no discurso de ódio contra a mulher, o negro, o homossexual, o pobre, o imigrante, entre outros setores sociais.

O tom colérico das pregações nas ruas e nas redes sociais e as ações violentas motivadas pela aversão a determinados grupos de pessoas e ao pensamento divergente configuram o surgimento de uma sociedade com características fascistas?

José Sérgio Leite Lopes, diretor do Colégio Brasileiro de Altos Estudos (Cbae) da UFRJ, considera a atual situação semelhante ao ambiente do país às vésperas da ditadura militar.

“Antes do golpe de 1964 houve também o açulamento da população, que foi alimentada pela direita política com certos medos, como o do comunismo e o do fim da religião”, compara.

Professor titular do Museu Nacional da UFRJ e especialista em Antropologia Urbana e Conflitos Sociais, Leite Lopes afirma que é recorrente na história, após governos de natureza mais popular, uma reação conservadora de teor fascista.

“Isso aconteceu na Alemanha pré-nazista, na República de Weimar, e também na Espanha republicana antes do levante franquista”, recorda.

Veja abaixo a entrevista completa com José Sérgio Leite Lopes:

Demien Melo, professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF), pondera que as ações “das direitas” no Brasil, mesmo as de caráter institucional, ainda não caracterizam um regime político fascista no país, tal como ocorreu na Alemanha e na Itália na primeira metade do século XX.

O que existe, para ele, é o crescimento de ações fascistas no Brasil em meio a uma onda conservadora quase planetária.

“É possível verificar isso com a ascensão da extrema direita na Europa e a eleição do Donald Trump nos Estados Unidos, da qual, evidentemente, o movimento fascista faz parte”, ressalta Melo, que se dedica, atualmente, a uma pesquisa sobre a nova hegemonia da direita no mundo.

Veja abaixo a entrevista completa com Demien Melo: